quarta-feira, 27 de junho de 2012

Diário de Buenos Aires 2 - Vôo corinthiano

Abaixo, um vídeo enviado pelo torcedor Franklin Lino, que ao lado dos também corinthianos Felipe Bafem e Erick Watanabe, fizeram a festa no avião que vinha para Buenos Aires.


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Diário de Buenos Aires 1 - Hino no Piano

Apesar da correria aqui em Buenos Aires, vou tentar postar alguns vídeos e fotos, no dia da decisão.

Primeiro, um torcedor que, dentro do hotel em que a equipe está concentrada, tocou o hino do clube no piano do lobby:

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Coração de torcedor



Homenagem da equipe Transamérica à classificação do Corinthians para a primeira final de Libertadores de sua história:

Para ouvir, clique aqui

terça-feira, 19 de junho de 2012

Saia, Luiza!


Ontem prometi pra mim mesmo que não escreveria aqui sobre o tão comentado encontro entre o ex-presidente Lula e o eterno deputado Paulo Maluf.

Não gosto de misturar emoção com opinião. Acho que a opinião tem que ser dada apenas com a razão.

Eu gosto muito de política. Sempre gostei. Acho que gosto mais até do que futebol.

E pelo fato de trabalhar com o segundo há tempos, aprendi a ser imparcial, a me distanciar do fato.

Na política, não. Na política penso como torcedor.

Torcedor que fui de Lula, aos 10 anos de idade, em 1989, quando fui às ruas distribuir bandeiras daquele que era tido como um "comunista comedor de criancinhas" por todas as mídias da época.

Lembro que fui massacrado pelos colegas de escola, todos apoiadores de Fernando Collor, o candidato da Globo e dos bacanas do país.

Hoje alguém admitir que naquela época votou no Collor é mais ou menos como um alemão mais idoso admitir que apoiou o nazismo. Mas que votou, votou.

Sempre fui um pouco rebelde, e gostava do que ninguém (pelo menos no meu círculo social) gostava. Sempre tive opinião.

Fui discriminado também quando apoiei Mario Covas à prefeitura, quando pedi um autógrafo para Luiza Erundina e em seguida defendi Ulisses Guimarães.

Em 2002, me emocionei com a chegada de Lula à presidência da República. Em 2006, já decepcionado, votei em Cristovam Buarque. Em 2010, votei nulo.

Não preciso nem citar as disputas municipais e estaduais, para exemplificar meu descontentamento e minha tristeza com quem eu antes acreditava tanto.

Mas sei também que política não é apenas política partidária. Política é tudo. 

Estou fazendo política escrevendo aqui. Faço política no twitter, no rádio, na rua.

Mesmo que apenas uma pessoa tenha a paciência de ler este texto, já consegui passar um pouco do que penso para alguém. Política.

Claro que há a necessidade de se fazer alianças para governar. 

A meu ver, Luiza Erundina nunca vai poder exercer outro cargo executivo, justamente porque não tem estômago para fazer alianças.

Ela não conseguiu governar a cidade de São Paulo por isso.

O PT aprendeu no seu governo que é preciso compor para ter poder, e principalmente para exercer o poder. O PT aprendeu e Luiza saiu.

Justamente por isso Luiza deixou o partido. E agora o PSB faz com que Luiza se una novamente ao PT.

Ela engoliu a seco e aceitou um pedido especial de Lula, a quem ainda tem admiração apesar de tudo.

Mas o PT foi longe demais. Até para quem já estava decepcionado com tudo, uma aliança com Maluf, um aperto de mão público com o inimigo eterno é uma cena que dá muito desgosto.

E Luiza está em uma encruzilhada. 

Ou aceita ser vice do fantoche unido ao inimigo para surrupiar um pouco mais a cidade, ou deixa a política.

A meu ver, Luiza, deixe. Deixe pela porta da frente. 

Tenha coragem, como sempre teve.

Venha fazer política deste lado aqui. 

Junto a Herbert de Souza, o Betinho, a Zilda Arns, Chico Mendes, e tantos outros bons como você. 

Saia dessa, Luiza, não se misture mais.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fala Sério!

Há exatos 6 anos, durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, eu recebia a notícia da morte do humorista Bussunda.

Na época eu fazia produção na Rádio Transamérica, cheguei cedo para editar os materiais dos repórteres, e fiquei sabendo da notícia pelo amigo Andre Henning, que estava fazendo a cobertura do evento.

Por que estou falando disso agora?

Acho que por um certo saudosismo, pelo fato de programas de humor de hoje tratarem o tema de um modo mais hostil, um humor de provocação desvairada, pouco inteligente, até.

Bussunda provocava, mas com uma ironia inteligente, mais sutil.

Claudio Besserman Viana, seu nome de batismo, foi descrito como gênio, punk, revolucionário.

O ex-presidente Lula declarou que era o grande símbolo da irreverência brasileira.

Aqui, pra quem não se lembra, um pouco da história do craque do humor brasileiro:


E uma foto que guardo com muito carinho, aos meus 17 anos de idade, quando o encontrei durante um Grande Prêmio Brasil de F1:



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Um dia (e uma noite) de Libertadores na Vila Belmiro


Depois de um longo dia de trabalho que começou ontem às 9 da manhã e terminou apenas às 5 horas da manhã de hoje, vou relembrar em fotos este 13 de Junho de 2012:


Com o sol ainda forte, muito calor na Vila, portões ainda fechados, o estádio se prepara.



Policiais fecham a rua ao lado para a chegada dos 600 torcedores do Corinthians:


Ansiedade crescendo, funcionários trabalham:


A imprensa começa a chegar na sala de coletivas:


E o sol vai se despedindo, vem chegando a grande hora:


Camarote de Neymar na Vila Belmiro:


Acanhado vestiário visitante, com uma mesinha velha e suja esperando pelos personagens da partida:


Saída do vestiário visitante. Assim os jogadores do Corinthians entraram em campo:



Mais do vestiário visitante (aqui aconteceu a coletiva do goleiro Cassio após o jogo):



Lá pelas 19h30m, me posicionei no local em que ficaria durante toda a partida. Aqui cabe um texto um pouco maior, para explicar. 

Na Copa Libertadores, os repórteres de rádio não tem a permissão de ficar dentro do campo de jogo. 

Até aí tudo bem, se a Conmebol estipulasse algum local para trabalharmos. Mas eles não estão nem aí para quem não paga direitos. (e não é que as rádios não pagam porque não querem, é porque não deixam, não existem direitos de rádio) 

Então, em cada partida, nos arrumamos da forma que podemos. Às vezes trabalhamos no vestiário, às vezes nas numeradas, às vezes no alambrado (local onde todos ficamos na partida contra o Vasco), e às vezes na arquibancada, como foi o caso ontem.

Isso mesmo, a imprensa ficou bem no meio dos exaltados torcedores santistas. E como tudo nessa vida, não podemos generalizar. Há muitos torcedores educados, que entendem o fato de estarmos apenas trabalhando.

Mas havia ontem também os idiotas, sempre existem os idiotas. Estes, ameaçaram, xingaram, cuspiram, mas continuamos lá, com a missão de detalhar o jogo para o nosso ouvinte.

Queria inclusive abrir o espaço aqui para dar parabéns a Gustavo Zupak (Rádio Globo), Flavio Ortega (ESPN), Marcio Spimpolo (Jovem Pan), Vanderlei Lima (Bradesco), Andre Sanches (CBN), Marco Zanni (CBN), Anderson Cheni (Capital), e todos os outros que lá estavam. Profissionalismo nas mais difíceis situações.


Na foto abaixo, Zupak, Ortega, eu e Zanni, antes da torcida chegar:



Repórteres e a torcida (em destaque, Anderson Cheni):




E a bonita festa da torcida santista:



Ontem, claro que retirando alguns poucos torcedores que não entendem o sentido do futebol, a torcida do Santos esteve de parabéns! Linda festa, apoio ao time, gritos de incentivo, um verdadeiro caldeirão.

E quarta-feira que vem, será a vez da torcida do Corinthians, no Pacaembu. 

Espero que em paz e com muita alegria, afinal, futebol é isso, e um dia destes fica pra sempre na memória.

Na vitória, na derrota. Trabalhando, torcendo, a favor, contra, Santos, Corinthians. Libertadores. 

De qualquer forma, inesquecível.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Dirigente medíocre


Na minha profissão como jornalista esportivo, aprendi que é muito difícil lidar com torcedores de futebol.

Pelo simples motivo que todo brasileiro é torcedor de futebol. Não há generalidade alguma que possa ser associada ao torcedor.

Há os torcedores calmos, há os exaltados, cultos, ignorantes, estudados, iletrados, mais ou menos apaixonados, razoáveis, sem razão, enfim, há de tudo neste balaio.

Então é muito complicado às vezes você falar com tanta gente assim tão diferente.

Não que seja uma especificidade da minha profissão.

Imagino um Presidente da República, em um discurso oficial para toda a Nação, como deve sofrer para ser entendido e compreendido por toda uma população.

Mas, voltando ao futebol, tenho contato diário com dirigentes de clube, e sei o quanto de paciência precisa existir na vida deles para lidar com imprensa e público.

Alguns dirigentes reagem com simpatia, outros com distanciamento, e alguns, poucos, com bom humor.

Mas aí caímos em outro assunto muito difícil de se discutir, e vou resumir aqui: poucos conseguem fazer humor. É algo para profissionais, e para pessoas com habilidade para tal.

Não é o caso do dirigente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg.

Toda vez que o vice de marketing do Timão quer aparecer um pouco mais, tenta soltar frases de efeito, gracinhas e provocações aos rivais de seu clube.

Deve ter aprendido isso em palestras de economia, talvez. Realmente, alusões a futebol, piadas bem colocadas, ironias devem transformar uma palestra monótona em um sucesso de audiência.

Mas Rosenberg deve ter esquecido que está no mundo do futebol, com todos os poréns que já coloquei aqui neste texto.

Vamos nos ater especificamente à polêmica frase utilizada por Luis Paulo: “O Corinthians é um time medíocre”.

É lógico para qualquer pessoa um pouco mais estudada o que ele quis passar: foi o significado formal da palavra medíocre - no dicionário, mediano, comum, modesto.

O diretor quis dizer que o Corinthians é um time sem estrelas, na média, comum.

Mas Rosenberg quis ser mais realista que o rei. Ninguém se expressa assim no Brasil.

Todos sabem que o significado popular da palavra medíocre é ruim, incompetente, lastimável.

Luis Paulo Rosenberg é um profissional de sucesso, um economista com vasta carreira nas esferas pública e privada.

Tanto em uma quanto em outra, já acertou e já errou.

No governo, não conseguiu prosperar. Como analista de fusão de empresas, foi muito bem. 

No cargo de dirigente esportivo, teve muitos méritos, e muitos escorregões.

Não é melhor, nem pior que outros dirigentes por aí. Mediano, comum.

Nas palavras do próprio, medíocre.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Respeito


A 16ª Edição da Parada Gay acontecerá neste domingo, 10 de Junho, na cidade de São Paulo.

A organização da Parada informa que os investimentos diminuíram de um ano pra cá, em cerca de 120 mil reais, e alega que esta diminuição se deve ao preconceito.

Há 4 anos, em 2008, fiz uma matéria especial para a Rádio Transamérica, falando da Parada Gay e do preconceito com a homossexualidade no meio do futebol.

Durante a execução desta matéria, aprendi diversas coisas. A primeira foi em relação ao termo. 

Já na primeira ligação para marcar uma entrevista com um ativista gay, citei a palavra homossexualismo, e levei uma sonora bronca, seguida de uma explicação: o sufixo ismo se refere a uma doença. Por isso, o termo correto é homossexualidade, uma escolha.

Aprendi também o tamanho do preconceito sofrido pelos gays, e a alegria com que eles encaram a vida. 

Aprendi que se pode brincar, sim. Eles mesmo brincam entre si, com muito bom humor (a Parada é o maior exemplo disso).

Mas nunca se pode ofender, distinguir, discriminar.

É uma pena que 4 anos depois da matéria realizada, vejo que ainda nenhum jogador de futebol assumiu sua  homossexualidade. Sim, é claro que há jogadores gays, como há médicos, operários, professores, faxineiros.

Mas vejo que o preconceito ainda impede que as pessoas sejam felizes por inteiro.

Há quatro anos, eu encerrei a matéria com essas palavras, que continuam bem atuais:

Torcedores, patrocinadores, jornalistas, e todos os envolvidos naquele que é o principal meio de diversão do Brasil, e na maioria dos países do mundo, o futebol, devem saber conviver, e principalmente respeitar. Respeitar a diversidade. Respeitar a felicidade.


Quem se interessar por ouvir a matéria e aprender um pouco mais, Clique aqui

Para quem tiver menos tempo, e quiser ouvir o final, com um recado emocionado do ativista Eduardo Piza, favor Clicar aqui

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Crime e Castigo

O que é pena de morte?

Foi exatamente com essa pergunta que me sentei agora em frente ao computador.

E embora pareça, a resposta não é tão simples assim.

Veja só:

Acabo de assistir a um destes seriados policiais da televisão fechada.

Law and Order.

O advogado-mocinho estava tentando condenar um criminoso que se dizia um justiceiro muçulmano.

O crime, uma explosão de um local, que causou a morte de duas crianças americanas inocentes.

O criminoso se defendia dizendo que muitas crianças muçulmanas inocentes morreram vítimas de ataques americanos.

O advogado-mocinho tentou desqualificar o julgamento de um ato terrorista, para "apenas" homicídio duplo.

Para provar a sua tese, ele disse o seguinte:

- "Nenhum homicídio pode ser justificado. Não interessa a motivação, o que precedeu, o que a pessoa está defendendo, qualquer homicídio deve ser evitado e qualquer homicida deve ser punido."

Depois deste bonito discurso, ele consegue convencer o juri.

E eis que o episódio termina com o criminoso considerado culpado e condenado à....... morte (?!)

Por favor, vamos relembrar o que disse o advogado que condenou o cidadão à morte:

- "Nenhum homicídio pode ser justificado. Não interessa a motivação, o que precedeu, o que a pessoa está defendendo, qualquer homicídio deve ser evitado e qualquer homicida deve ser punido."

Na hora pensei, transitando para o mundo real:

Será que só eu acho completamente sem noção o Estado ter poder sobre a vida e a morte, que é condenada por Sua Própria Lei?

Será que essa visão de pena de morte dos norte-americanos acaba influenciando a visão de mundo da população local, o que faz com que em uma guerra eles acabem apoiando o massacre do chamado inimigo do Estado?

Será que a tal morte de crianças muçulmanas e demais cidadãos inocentes no longínquo Paquistão é uma espécie velada de pena de morte levada às últimas consequências?

Longe aqui este humilde ser de defender um lado ou outro em uma guerra onde a meu ver todos são culpados.

Mas como a história é escrita pelos vencedores, e de um século pra cá os vencedores são sempre os mesmos, fica aqui o pensamento de discordância e de dúvida.

Como dizem por lá, na parte de cima do mundo, no andar mais alto do prédio, uma dúvida razoável.

Novamente, o Nacionalismo


Olhando de longe e no conforto de espectador o confronto de ideias e de palavras entre o comentarista da TV ESPN Brasil, Mauro Cezar (que não conheço pessoalmente) e o atual Ministro do Esporte do Brasil, Sr. Aldo Rebelo (que também não conheço pessoalmente) hoje pelo twitter, lembrei de um texto que escrevi há dois anos aqui neste blog.


O motivo era outro, não sabíamos ainda que a Copa do Mundo de 2014 aconteceria no Brasil. 


O assunto era a seleção do técnico Dunga, que se preparava para a Copa da África, e a forma como o treinador da seleção usava um tal "nacionalismo" para confrontar os que torciam a favor ou contra a permanência dele no comando do grupo.


Pois o Ministro, sujeito que já respeitei muito por seu passado de lutas e pelos ideais que defendia, usou da mesma baboseira neste confronto para evocar o "anti-nacionalismo" de quem, segundo ele, torce para a Copa do Mundo de 2014 "dar errado".


@aldorebelo disse: @MauroCezarESPN eu não sei o que vc odeia mais,o Brasil ou o futebol,pra torcer tanto para a Copa dar errado.


Sr. Aldo, homem estudado, que convive há muito no meio acadêmico, certamente conhece a distância que o Nacionalismo tem do Patriotismo. E os males que já foram causados ao mundo pelo primeiro, ressuscitado agora por ele.

Talvez pelos ideais comunistas que ainda sobrevivem por aí, talvez pelo corporativismo de governo, o Ministro ao meu ver errou feio.

Como escrevi há mais de dois anos, "Existem aqueles que querem unir e aqueles que querem dividir".

O nacionalista sempre escolhe a segunda opção.

Abaixo, o texto de Maio de 2010. Para as linhas ficarem atuais, é bem simples, apenas troque "a seleção de Dunga" por "a Copa do Ministro Aldo Rebelo".





" Outro dia comentei no programa Papo de Craque, da Rádio Transamérica, sobre a tentativa do técnico Dunga de misturar o futebol da seleção brasileira com o nacionalismo exacerbado que todos, pensa ele, devemos ter.


Cabe aqui, aliás, uma pequena identificação do que é nacionalismo e do que é patriotismo, que muitos (inclusive o técnico Dunga) julgam serem sinônimos:

O Patriotismo:

De patriota (que por sua vez vem do latim tardio 'patriota' e do grego 'patriotés', «que é do país») + sufixo -ismo] é o amor que nutrimos pela Pátria e esta é o nosso país, ou região, ou, até, cidade.

Um exemplo de patriotismo é a forma de unidade que acontece quando um determinado país está sob ameaça externa, por exemplo, conflitos militares com outras nações. O efeito deste vínculo faz com que pessoas de diferentes origens coloquem suas diferenças de lado para formar uma frente comum.

O Nacionalismo:

De nacional (+ sufixo -ismo) tem conotações políticas. É uma ideologia que incita os povos à formação de estados soberanos, à reivindicação da sua independência. Preconiza a existência do Estado-Nação.

O Nacionalismo é um vínculo entre indivíduos, que se baseia nos laços familiares, tribais ou de clã. Ele surge entre as pessoas quando o pensamento predominante é o de conseguir a dominação.

O Nacionalismo não une as pessoas, porque ele se baseia na conquista da liderança. Esta conquista cria uma luta poderosa entre as pessoas e leva a conflitos entre as várias camadas da sociedade. Outro inconveniente do Nacionalismo é que ele dá margem ao surgimento do racismo.

Isto acontece quando as pessoas competem entre si, tendo por base o conceito de raça. Alguns brancos, por exemplo, podem se ver superiores aos negros, ou vice-versa, levando a uma polarização de raças, dividindo a sociedade.

Ao longo da História da Humanidade tivemos nacionalismos perigosos que reivindicaram a supremacia da sua nação sobre as outras, como foi o caso do nazismo.

Um exemplo prático da diferença:

Posso dizer observando uma maçã:
Este é um bem nacional (Como produto)
Porém não posso dizer ao observar a mesma maçã:
Este é um bem patriótico (Como produto)

Em caso de guerra, o nacionalista se acovardaria e declinaria do dever de defender a nação enquanto o patriota se alistaria livremente e partiria feliz em defender sua terra e seu povo.

O patriota não necessita ser nacionalista por inteiro e vice-versa.
Dito isto, podemos chegar à conclusão que no Brasil, como em todos os países do mundo, existem os nacionalistas e os patriotas.

Existem, como em todos os lugares, aqueles que querem unir e aqueles que querem dividir.

O técnico Dunga exaltou o nacionalismo, ao tentar opor os que são contra e os que são a favor da seleção.

Aqueles que torcem o nariz para o seu time (o time do Dunga) devem ser julgados e condenados à marginalidade. Não são dignos da nação.

A seleção brasileira, desde o início do século XX, é vista aqui como um símbolo da nação, assim como nossa bandeira ou nosso hino.

É um bem patriótico.

Não vou nem falar aqui do que já foi extensamente comentado: o uso político da seleção durante os anos de ditadura militar no Brasil.

Posso falar do que vi e vivi pessoalmente, que foi o sucesso do plano Real e a consolidação da Social-democracia brasileira de FHC com o sucesso de Parreira, Romário e companhia na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994.

Posso falar do uso político do título francês de 1998, para um governo que exibia uma avaliação negativíssima entre os seus cidadãos, e que teve a imagem recriada após o primeiro troféu de sua seleção.

Posso falar de como o nosso atual presidente Lula soube recriar, sobre os erros do passado, uma imagem positiva e esperançosa de seu governo.

Lula tirou todo o negativismo e todo o rancor de sua volta, e, a despeito da derrota de 1994, soube crescer em cima da seleção brasileira campeã do mundo de 2002.

Até hoje o presidente usa e abusa do futebol como meio de dispersar, dissipar, dissimular, como meio de mudar o foco de tudo e de todos sobre fatos negativos ao seu governo.

Futebol no Brasil é mais que pão e circo. Pão e circo é enganação. É um momento de êxtase que nos tira a consciência das coisas ruins ao nosso redor.

O brasileiro deixa de comer para ver o seu time ganhar. O brasileiro perdoa o presidente se o país vencer a Copa do Mundo. Conscientemente!

O brasileiro é patriota, não é nacionalista, seu Dunga.

E para finalizar a respeito do assunto, para não dizerem que não falei de flores, usar o patriotismo, unir o país em torno do esporte é um gesto gigante, um gesto que poucos conseguem fazer.

Em 1995, com a Copa do Mundo de rúgbi, na África do Sul, Nelson Mandela fez.

E está fazendo novamente em 2010, com a Copa do Mundo de futebol.

Mas, embora tente e talvez até se considere, Lula não é Mandela."


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Custou caro?

Conta rápida sobre a passagem do jogador Adriano no Corinthians:

O atacante chegou ao clube em Março de 2011.

Considerando um salário de 300 mil reais, mais 200 mil de direitos de imagem.

A dispensa de Adriano foi realizada em Março de 2012.

São então, 12 meses de trabalho efetivo, mais os meses restantes do contrato, que iria até Junho/12.

Nestes 12 meses, com 500 mil por mês, caíram então 6 milhões na conta do jogador.

Agora o acordo feito entre as partes rendeu mais 2 milhões de reais a Adriano, totalizando então:

8 milhões de reais.

Adriano atuou pelo Corinthians em 8 partidas.

Foram, segundo o portal IG, 350 minutos em campo.

O jogador marcou 2 gols com a camisa do timão. Considerando como exatos estes valores, cada gol custou então 4 milhões de reais ao clube.

Cada partida saiu pela bagatela de R$1 milhão.

E o Corinthians pagou a Adriano, por cada minuto em que ele esteve em campo, - repito, cada minuto!, R$ 22.857,14.

Por cada minuto jogado, ou melhor, por cada minuto em campo, Adriano ganhou do Corinthians o que 37 trabalhadores brasileiros recebem por um mês inteiro de trabalho.

Valeu a pena?

Abaixo, a entrevista que fiz com o Diretor Jurídico do Corinthians, Dr. Luiz Alberto Bussab, sobre o acordo final com o jogador:

CLIQUE AQUI

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